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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

EL NIÑO DEVE ELEVAR RISCO DE DENGUE NO FINAL DE 2026 - AVALIA MINISTÉRIO DA SAÚDE


O avanço do El Niño deve mudar o cenário das arboviroses no Brasil no final de 2026, após uma redução de 75% na incidência de dengue no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com o Ministério da Saúde. Em coletiva de imprensa, realizada na tarde de ontem, a pasta destacou a expectativa de aumento da circulação de dengue e outras arboviroses nos próximos meses e a preparação de um plano de contingência com estados e municípios para responder à possível alta dos casos.

O alerta ocorre em um período em que o fenômeno climático deve ganhar intensidade. Segundo o ministério, o Brasil entra em uma janela considerada crítica a partir de outubro, com impactos previstos até março de 2027. O órgão já havia alertado, em julho, sobre a possibilidade de aumento da transmissão de arboviroses no país durante o período de influência do El Niño. Na ocasião, projeções do InfoDengue/Fiocruz apontaram a possibilidade de que o país alcance cerca de 1,7 milhão de casos de dengue no próximo ano.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde vai atuar na preparação e na resposta, nos níveis nacional e regional, com os Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) e as bases descentralizadas da Força Nacional do SUS (FN-SUS).

"É urgente avançar na adaptação climática porque essas mudanças estão afetando a saúde e levando pessoas à morte. A preparação é baseada na ciência e respeita os princípios do SUS. Precisamos reconhecer que as alterações climáticas impactam diretamente a saúde pública, mas seus efeitos não são iguais para toda a população", afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

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A mudança no comportamento das doenças está relacionada às alterações de temperatura e de chuvas provocadas pelo fenômeno. Em algumas regiões, o aumento das precipitações pode favorecer a formação de criadouros do Aedes aegypti. Em áreas sujeitas à estiagem, o armazenamento de água também pode criar condições para a proliferação do mosquito quando os recipientes não são devidamente protegidos.

Seca

No Nordeste, o cenário projetado deverá se agravar com o aumento dos períodos de estiagem. O Diretor de Programa da Secretaria Executiva da pasta, Nilton Pereira, apontou os riscos relacionados à insegurança hídrica, calor extremo e piora das doenças crônicas, especialmente as cardiovasculares.

“Com a dificuldade de armazenamento e de acesso à água potável, temos uma preocupação especial, nas regiões Norte e Nordeste, com a dificuldade de chegada de alimentos às populações que podem eventualmente ficar isoladas, o que pode provocar insegurança alimentar, desnutrição e uma série de outras consequências. Também há preocupação com a proliferação das arboviroses”, ressaltou.

Para conter os danos, o diretor evidenciou o trabalho das bases da Força Nacional em Fortaleza, Recife e Salvador, com o objetivo de cumprir a meta anunciada pelo Ministério de atendimento imediato, realizado em até 12 horas durante situações de desastre ou apoio em emergências climáticas de saúde pública. “Temos mais de mil unidades básicas de saúde que estão em construção ou já foram construídas no Nordeste, assim como mais de 1.700 veículos novos do SAMU, ampliando a cobertura em todos os estados da região”.

A pasta ressaltou ainda a parceria com a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) para a coordenação de ações remediadoras de uma possível crise hídrica. “A fundação vem implementando mais de 18 mil cisternas na região do semiárido, para ampliar o acesso e a segurança hídrica das populações”, disse Pereira.

Por Vitória Floro

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