Com aproximadamente 1,036 milhão de hectares, a Chapada possui solos profundos, relevo plano e boa capacidade de infiltração e retenção de água. A altitude superior a 800 metros também contribui para temperaturas mais amenas, especialmente durante a noite, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. As características da região são mais próximas das encontradas no Cerrado brasileiro do que das observadas no semiárido tradicional.
Estudos realizados desde a década de 1990 já apontavam a viabilidade da produção de soja e sorgo, mas foi somente nos últimos anos que a expansão ganhou força, impulsionada pelo aumento dos preços dos grãos e pela busca de empresas nordestinas por fornecedores mais próximos.
Um dos principais estímulos vem da cadeia de proteína animal. Granjas e criadores do Nordeste ainda dependem fortemente do milho e da soja transportados do Centro-Oeste, do Matopiba e de Sergipe. Produzir no Araripe pode reduzir distâncias, custos de frete e a exposição das empresas às oscilações logísticas.
Em áreas de Exu, em Pernambuco, e de Santana do Cariri, no Ceará, propriedades registraram produtividades de até 152 sacas de milho e 69 sacas de soja por hectare. Os resultados são atribuídos à combinação entre correção do solo, agricultura de precisão, escolha adequada de sementes e condições climáticas favoráveis.
A localização também amplia a competitividade. A Chapada está próxima do polo avícola pernambucano e poderá ganhar acesso mais eficiente aos portos nordestinos com a conclusão da Ferrovia Transnordestina. Além de abastecer o mercado regional, a nova infraestrutura poderá abrir possibilidades de exportação.
O Movimento Econômico mostrou quem tem crescido a busca por financiamento para projetos agrícolas na região e que o valor das propriedades ainda é um atrativo, com o hectare sendo negociado entre R$ 7 mil e R$ 10 mil, patamar considerado competitivo em comparação com áreas agrícolas consolidadas. As características competitivas da Chapa do Araripe oferecem uma combinação que já atrai agricultores de Goiás, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e do próprio Nordeste.
A consolidação desse movimento, entretanto, dependerá de pesquisa, infraestrutura e segurança ambiental. E Para Pernambuco tirar pleno proveito, de uma ferrovia. Entre os principais obstáculos estão a demora no licenciamento, a ausência de estudos mais abrangentes sobre os impactos da expansão agrícola e a limitada disponibilidade de água para grandes projetos de irrigação.
Os estados que a Chapada abrange, precisam olhar com atenção para o potencial da região e, assim, derrubar essas barreiras, permitindo que o Araripe possa, de fato, se tornar um importante polo agrícola.
Desafios
Apesar do potencial econômico, a expansão agrícola também levanta preocupações sociais e ambientais. A valorização das terras na Chapada do Araripe aumenta a pressão sobre agricultores familiares e comunidades locais,. Especialistas defendem que o crescimento dessa nova fronteira agrícola seja acompanhado por inclusão social.
Floresta do Araripe
Por Patrícia Raposo - Folha de Pernambuco