A cultura do Coco de Roda tomará conta do Pajeú pernambucano: de 16 a 20 de junho será realizada a primeira edição do Festival de Coco de Afogados da Ingazeira, uma ação que integra shows gratuitos, intercâmbio artísticos, degustação de comida quilombola, oficinas de dança e música e ações de reflorestamento / doação de mudas.
Com incentivo da PNAB Afogados, Secretaria Municipal de Cultura e Prefeitura de Afogados da Ingazeira, Ministério da Cultura e Governo Federal, o Coco Negras e Negros do Leitão da Carapuça, Patrimônio Vivo de Pernambuco, é o anfitrião do encontro. "Será tudo de graça, para todo mundo que queira aprender e viver o Coco", destaca Sebastião da Silva, líder do grupo e proponente do projeto. A Secretaria Municipal de Educação é uma das apoiadoras da ação.
Nos dias 16 e 17 de junho, haverá aulas de dança do coco na rede pública de ensino (16/6 no Centro de Educação Infantil Genedi Magalhães e 17/6 na EREM Cônego João Leite, exclusiva para alunas e alunos na zona urbana de Afogados da Ingazeira).
Já no dia 19 de junho, sexta, haverá shows na Estação Ferroviária: 16h Samba de Coco Cachoeira da Onça, 17h homenagens "Amigos do Coco", 17h30 Grupo de dança "Raízes em Movimento" e Grupo de Coco "Eu Não Tenho Amor", 18h 15 Batucada Feminista do Pajeú e 19h Coco Negras e Negros do Leitão; degustação de comida de quilombo e distribuição de mudas de plantas da caatinga completarão a ação.
Por fim, em 20 de junho, sábado, Dia Estadual do Coco de Roda, haverá transporte da cidade ao Leitão a partir das 15h na Praça Padre Carlos Cottart; e shows no Leitão da Carapuça (zona rural de Afogados): 16h Coco Toype do Ororubá, 17h 30 Homenagens, 18h Coco Negras e Negros; também haverá degustação de comida de quilombo.
CONHEÇA AS APRESENTAÇÕES
Anfitriões, o Coco Negras e Negros do Leitão é Patrimônio Vivo de Pernambuco e possui mais de 30 anos de atividade, dois CDs e um EP, além de curtas metragens - se apresentarão no dois dias de shows. Já o Samba de Coco Cachoeira da Onça é liderado por Mestra Joana, irmão de Inácio Pedro, que era mestre do Negras e Negros e morreu em 2025. Formado por sua família (filhas, filho, netas e parentes), o Samba apresentará o show "No Terreiro de Mestra Joana" na sexta, 19/6. O Samba de Coco Toype do Ororubá, que surgiu em 2017, na aldeia Lagoa (Pesqueira), como expressão da cultura tradicional do povo Xukuru do Ororubá, se apresenta no sábado, 20/6 no território do Leitão.
Completam a programação a Batucada Feminista do Pajeú, grupo percussivo que se apresentará em Afogados; e os grupos "Raízes em Movimento" e "Eu Não Tenho Amor", que sao formados por alunas e alunos da rede pública de ensino e estreiam em festivais de música, se apresentando também na sede do município (Estação Ferroviária, s/n, próximo à Escola Dom Mota, centro).
"A curadoria buscou integrar a tradição quilombola, da qual o Samba de Custódia é o representante, com a tradição indígena, da qual o Coco Toype do Ororubá é a melhor expressão possível. Se os pesquisadores de cultura popular afirmam que o Coco de Roda é resultado da fusão de tradições afro indígenas, então o festival terá essa intersecção. E é notório: a roda de coco é muito parecida com o toré dos indígenas. Vai ser um encontro lindo de reconexão e reafirmação da cultura popular de Pernambuco enquanto esse lugar original e único, adjetivos aliás que foram relacionados ao Negras e Negros do Leitão pelo Conselho de Cultura quando viraram Patrimônio Vivo em 2023", reflete Leonardo Lemos, pesquisador do Coco nos Sertões e produtor executivo do projeto.
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Coco Negras e Negros do Leitão, anfitriões do festival. Créditos: Quel Lima
Leonardo Lemos/ Jornalista

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