Durante a inauguração da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta Hospital Otávio de Freitas nesta segunda-feira (23), a deputada estadual e líder do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Socorro Pimentel (União Brasil), afirmou que, com um calendário eleitoral apertado, todo tempo deve ser utilizado para aprovar ações que beneficiem o povo de Pernambuco.
“A partir do meio do ano, a gente vai estar muito mais forte com as nossas presenças nas bases. Então, o intuito é aprovar o maior número de projetos neste primeiro semestre, com a maior brevidade possível”, argumentou a parlamentar.
A declaração vem em meio a um cenário de mudanças na Alepe. Com a formalização do apoio do partido União Brasil à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), a gestora estadual alcança também uma possível parceria com o presidente da Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação da Assembleia, o deputado Antônio Coelho (União Brasil). O parlamentar fomentava a oposição ao governo, mas o posicionamento tende a se tornar mais flexível.
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A principal matéria defendida por Raquel Lyra é a aprovação dos vetos sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. O texto já está em vigor, mas sem as alterações propostas pela chefe do Executivo pernambucano. Além disso, uma convocação emitida por Antônio Coelho na semana passada incluiu a aprovação do remanejamento de 20% sobre todo o orçamento.
Política
Ainda no evento de entrega da requalificação da UTI do Hospital Otávio de Freitas, a governadora preferiu não falar sobre política e sobre as eleições. Segundo a gestora, o momento atual é para discutir sua gestão.
“A gente pode falar de política em outro momento. Eu tenho dito que a melhor entrega que eu posso fazer para Pernambuco é trabalhar todo dia”, defendeu Raquel Lyra. A governadora adotou um discurso mais institucional, sob a justificativa de que pretende seguir à risca toda a legislação eleitoral.
Essa sinalização ocorre em meio a um contexto de indefinições para a gestora estadual. Nos últimos dias, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), anunciou a pré-candidatura ao governo do estado, e a chapa já mostra consolidações: o empresário Carlos Costa (Republicanos) como vice-governador, a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) para uma das vagas ao Senado o senador Humberto Costa (PT), que só deve anunciar sua posição dentro da chapa da Frente Popular no dia 28 de março, junto ao PT. Apesar disso, Humberto já é citado como candidato a senador na chapa encabeçada por Campos.
Enquanto isso, Raquel Lyra não apresenta nenhuma resolução sobre sua chapa. Recentemente, o União Brasil declarou apoio à reeleição da governadora, e o presidente estadual do partido, Miguel Coelho, foi convidado a integrar a chapa ao Senado de Raquel, mas ainda não aceitou.
Coelho foi um dos oponentes da governadora durante as eleições estaduais de 2022, e até pouco tempo, era um dos aliados de João Campos. O ex-prefeito de Petrolina, porém, diz que sempre manteve o diálogo aberto com a chefe do Executivo estadual, e que suas diferenças políticas nunca interferiram no processo.
Outro nome que era visado por Raquel para compor a chapa majoritária era o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), que presidirá em Pernambuco a federação União Progressista, composta pelo União Brasil e pelo Progressistas. Contudo, a gestora direcionou represálias ao parlamentar, exonerando três nomes ligados ao PP de importantes órgãos do estado. Diante disso, da Fonte pode não ser mais uma opção.
O senador Fernando Dueire (MDB) também se coloca como uma das possibilidades para compor a chapa de Raquel Lyra. Ele é aliado da chefe do estado, e sempre a acompanha em agendas institucionais. Em contrapartida, a legenda que Dueire integra é comandada em Pernambuco por Raul Henry, que é declaradamente apoiador do projeto do prefeito do Recife. Para concorrer no grupo de Raquel, o senador deve mudar de partido, mas isso também não foi definido ainda.
Por Clara Oliveira - Folha de Pernambuco

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