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terça-feira, 3 de novembro de 2026

BRASIL CHEGA A 84,2 MILHÕES DE INADIMPLENTES - MULHERES SÃO MAIORIA


As mulheres representam 50,5% das 84,2 milhões de pessoas inadimplentes no Brasil, enquanto os homens correspondem a 49,5%. A diferença é pequena, mas chama a atenção para as desigualdades que podem tornar o orçamento feminino mais vulnerável. O cenário faz parte do novo Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, divulgado nesta segunda-feira (2) pela Serasa, que registrou o maior número de negativados da série apresentada pela empresa.

O levantamento também aponta que o valor total das dívidas chegou a R$ 597,4 bilhões. Bancos e cartões de crédito concentram a maior parcela dos débitos (27,16%), seguidos pelas financeiras (20,66%). As contas de água, luz e gás representam 20,32% do total.

Em relação a agosto, quando o país registrava 83,9 milhões de inadimplentes, houve aumento de aproximadamente 300 mil pessoas. Na comparação com setembro de 2025, a alta foi de 6%.

Recorte

Além da maior participação feminina, o levantamento mostra que a inadimplência está concentrada principalmente entre pessoas de 41 a 60 anos, faixa que representa 35,7% do total. Em seguida aparecem os brasileiros de 26 a 40 anos, com 33,2%. Os consumidores com mais de 60 anos correspondem a 20,1%, enquanto os jovens de 18 a 25 anos representam 11%.

Para o economista e professor Werson Kaval, a diferença entre homens e mulheres não deve ser interpretada como resultado de uma suposta dificuldade feminina de administrar as finanças.

“Historicamente, as mulheres enfrentam diferenças salariais, maior participação no trabalho doméstico não remunerado e, em muitos casos, acumulam a responsabilidade financeira pelo funcionamento da casa e pelo sustento dos filhos. [...] Isso significa que muitas precisam administrar despesas familiares semelhantes, mas com uma disponibilidade financeira menor”, explica.

O economista acrescenta que as mulheres frequentemente assumem diretamente despesas essenciais. “Quando a renda familiar não é suficiente para cobrir esses compromissos, os atrasos podem aparecer nas contas registradas em nome delas”, ressalta.

A concentração de inadimplentes entre os 41 e os 60 anos também está relacionada, segundo Kaval, ao acúmulo de responsabilidades financeiras nessa etapa da vida. “Além disso, essa população geralmente possui mais acesso ao sistema financeiro, com cartões, financiamentos e empréstimos acumulados ao longo dos anos. Isso amplia a exposição ao risco de inadimplência quando ocorre algum desequilíbrio na renda”, observa.

Dicas

O crescimento da inadimplência, na avaliação de Kaval, é resultado principalmente do desequilíbrio entre a capacidade de pagamento das famílias e o custo das obrigações financeiras. Juros elevados encarecem o crédito e fazem com que dívidas inicialmente pequenas se transformem em problemas maiores. Ao mesmo tempo, famílias que trabalham e recebem salários enfrentam dificuldades para conciliar despesas básicas, consumo e prestações.

“A facilidade de acesso a cartões, empréstimos e parcelamentos nem sempre vem acompanhada de planejamento financeiro. [...] O problema não é apenas que o brasileiro está devendo mais, mas que uma parcela crescente da renda já chega comprometida, e qualquer imprevisto pode transformar uma dívida administrável em inadimplência”, afirma.

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Para quem já enfrenta dificuldades, o primeiro passo é fazer um diagnóstico da situação financeira, relacionando todas as dívidas, os juros, os vencimentos e as despesas mensais. A recomendação é registrar as informações em uma planilha, aplicativo ou mesmo no papel.

Kaval orienta que o consumidor priorize as dívidas com juros mais elevados, como cartão de crédito rotativo e cheque especial. Outra medida é evitar novos parcelamentos enquanto o orçamento estiver desequilibrado e envolver os demais integrantes da família na reorganização financeira.

“É preciso buscar descontos e condições melhores, mas aceitar somente parcelas que possam ser pagas sem comprometer a alimentação, a moradia, a saúde e outras necessidades básicas”, alerta.

Políticas

O avanço da inadimplência também coloca em discussão a efetividade das políticas de renegociação de dívidas, ampliadas em larga escala no governo Lula 3. Para Kaval, iniciativas como o Desenrola são importantes por oferecerem descontos e condições de pagamento, mas têm uma limitação: atuam sobre débitos já existentes, sem necessariamente modificar os fatores que levam as famílias a contrair novas dívidas.

O economista ressalta que a ampliação das oportunidades de renegociação precisa vir acompanhada de mudanças na relação das famílias com o crédito. Caso o consumidor consiga quitar uma dívida, mas volte a contratar empréstimos e parcelamentos sem reorganizar o orçamento, o alívio poderá ser temporário.

“A educação financeira não faz o dinheiro aparecer onde ele não existe; ela ajuda a tomar decisões melhores com os recursos disponíveis. Mas, para milhões de brasileiros, o desafio também é ter renda suficiente para viver com dignidade”, conclui.

A Serasa inicia nesta terça-feira (3) mais uma edição do Feirão Limpa Nome, com a participação de 3,3 mil empresas parceiras. Até 6 de dezembro, serão disponibilizadas mais de 750 milhões de ofertas de negociação, com descontos de até 99%. As negociações podem ser feitas pelo site ou aplicativo da Serasa e pelo WhatsApp oficial, no número (11) 99575-2096.

Por Maysa Sena - Folha de Pernambuco

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