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sábado, 22 de abril de 2017

BALEIA AZUL - POLÍCIAS INVESTIGAM SETE CASOS DE VÍTIMAS DO JOGO EM PERNAMBUCO

As polícias Civil e Federal já registram sete casos de adolescentes envolvidos com o “jogo” Baleia Azul em Pernambuco. A informação é da Polícia Civil de Pernambuco, que realizou uma coletiva de imprensa para dar orientações sobre o assunto na tarde desta quinta-feira (20), no Recife. 

A Polícia Civil investiga dois casos no Recife - um menino no Ibura e uma menina em Brasília Teimosa -; uma menina no município de Paulista; um menino em Goiana e um em Vicência, na Zona da Mata Norte. Já a Polícia Federal investiga dois casos na cidade de Moreno, na Região Metropolitana do Recife. 

"É um jogo macabro, quase uma seita, que afeta pessoas que ainda não têm o discernimento que nós, adultos, temos", disse Darlison Freire, gestor do Departamento de Policia da Criança e do Adolescente (DPCA). 

O caso no bairro do Ibura, na Zona Sul do Recife, foi registrado nesta quinta, e envolve um adolescente. Segundo o delegado, numa das tarefas, o jovem tinha que filmar o sacrifício de um gato e beber o sangue dele. No “jogo”, a filmagem teria que ser enviada para o aliciador, conhecido como “curador”, para comprovar que a tarefa foi cumprida. Caso não fosse, a vítima e família dela seriam ameaçadas de morte. 

"O ameaçador costuma ter informações da vítima, muitas delas fornecidas pelo próprio adolescente", explica Darlson. No caso registrado nessa quarta (19), uma adolescente de 13 anos moradora de Paulista, também na RMR, teria recebido ameaças por meio de mensagens no WhatsApp quando avisou que iria sair do jogo. As mensagens partiram de pessoas que moram em Minas Gerais, Bahia e interior do Rio de Janeiro. A polícia recebeu esse material e já está investigando quem seriam esses aliciadores. "A ameaça já começa quando a pessoa ingressa, a de que, uma vez entrando, não podem mais sair", explicou o gestor. 

As investigações acontecem tanto em âmbito local quanto nacional e contam com uma força-tarefa e com a colaboração de polícias de diversos estados. Os aliciadores, mesmo que tenham menos de 18 anos, podem ser responsabilizados, junto com seus responsáveis legais. "Já vemos crimes de ameaça, lesão corporal e induzimento ao suicídio (artigo 122, reclusão de 2 a 6 anos)", explicou Darlson. 

"É assustador que as pessoas estejam cumprindo essas tarefas. Temos o temor de que, chegando ao Brasil, essas tarefas sofram modificações e passem a se dirigir a outras pessoas, como orientações para envenenar outros", falou Darlson. No Jogo, cada participante deve cumprir uma série de tarefas que vão desde a automutilação até o suicídio. Outras tarefas também são realizadas para influenciar o psicológico dos adolescentes, como assistir uma série de filmes de terror. 

Confira as recomendações da Polícia Federal:

O jogo Baleia Azul

A referência do nome do jogo não é por acaso. As baleias são popularmente conhecidas por comportamento suicida ao forçarem o encalhe na praia. Uma das teorias é a “hipótese do integrante doente”, quando uma baleia doente procura águas rasas e tranquilas em busca de segurança, outras baleias a seguem e acabam encalhadas também.

Tudo na internet se espalha muito rápido, mesmo as coisas mais inacreditáveis. Neste caso não é diferente. O fenômeno ganhou visibilidade e vem se alastrando pelo mundo e tudo começou na Rússia, em 2015, quando uma jovem de 15 anos tirou a própria vida; dias depois, uma adolescente de 14 anos, Rina Palenkova, cometeu suicídio na cidade de Ussuriysk. Depois de investigar as causas, a polícia ligou os fatos a um grupo que participava de um desafio com 50 missões, sendo a última delas acabar com a própria vida. A partir daí aconteceram cerca de 130 suicídios de crianças ocorridos na Rússia de novembro de 2015 a abril de 2016 e que de acordo com eles, quase todos eram membros do mesmo grupo na Internet. 

Causas do suicídio

As autoridades dizem que as causas principais são amor não correspondido, problemas familiares, dificuldades na escola, luto na família, saúde mental, falta de oportunidades, desemprego e abuso de drogas.

Cibercriminosos coagem adolescentes

Jogos com apelos de riscos letais têm virado moda entre os adolescentes como o jogo da asfixia, desafio do sal e gelo e jogo da fada. Os adolescentes e pré-adolescentes estão em uma fase em que ainda não percebem as consequências de seus atos. E esse jogo pode atrair não só aqueles em situação vulnerável, mas também outros, pela sedução da emoção que os desafios propõem. Pessoas fragilizadas por eventos traumáticos, isoladas emocionalmente, que possuem dificuldade em confiar ou que se sentem cobradas e exigidas em demasia são mais propensas a desenvolver quadros depressivos que as tornam alvos fáceis para esse tipo de manipulação. Então, utilizando-se da inocência, da paranoia e da neurose de suas vítimas fazem elas a acreditar que estão à mercê dos administradores; 

As vítimas

Normalmente, os alvos dos criminosos são crianças e adolescentes, já que são facilmente impressionáveis e por isso são coagidas a participar do jogo no Facebook ou Whatsapp em virtude de terem acesso ao banco de dados do Serasa e Cadastro Nacional (com dados pessoais como nome completo, escola em que estuda, média de notas escolares, cidade, endereço, IP e nome de amigos próximos) onde passam a assustar as vítimas menores de idade ao mostrar dados pessoais e fazer ameaças. A criança se sente pressionada e amedrontada e passa a interagir com eles! As ameaças de seguem com perguntas tais como: “Desenhe uma baleia com estilete no braço, depois tire uma foto quando estiver sangrando e me envie. Você, seus amigos e sua família correm perigo, espero que você salve a eles. Dez minutos para a conclusão, fico no aguardo."

Fragilidade

Através de informações pessoais deixadas pela própria criança como problemas em casa, brigas com os pais, notas baixas na escola, tristeza por ter acabado um namoro, morte na família – então eles se aproveitam desta fragilidade sentimental para incentivar a participar do jogo! Acontece que esses cibercriminosos estão entrando em grupos até de autoajuda, de superação da depressão, discussão sobre transtorno de ansiedade generalizada e aconselhamento pró-vida no Facebook para encontrar e atacar suas vítimas.

Onde se joga

Através de links em grupos contidos no Facebook, numa rede social russa chamada VK atualmente com mais de 33 milhões de usuários ou até mesmo em grupos do Whatsapp criados para essa finalidade.

Como se joga

Os adolescentes são previamente selecionados para participar de 50 desafios macabros, onde alguém por trás da tela (curador-é a pessoa que convida os jovens para o jogo e comanda e entrega os desafios para serem cumpridos o tempo todo) manipula e dá as ordens para serem cumpridas pelo jogador. As tarefas que incluem escrever frases e fazer desenhos com lâminas na palma da mão e nos braços e com queimaduras, bater fotos assistindo a filmes de terror de madrugada, ficar doente, subir no alto de um telhado ou edifício, escutar músicas depressivas, na última "missão" tirar a própria vida. 

Vítimas no Brasil

Houve vítima em diversos Estados brasileiros, além de Pernambuco: Mato Grosso e Minas Gerais (com mortes de uma menina em uma represa e de um menino de overdose de remédios - indícios de cortes no braço e no Whatsapp comentários sobre o jogo, respectivamente) e na Paraíba (a Polícia Militar está investigando casos em que uma classe de alunos já estariam no procedimento de mutilação). 

Como se proteger

1- Denuncie nos grupos. Se você perceber algum amigo postando fotos e mensagens estranhas nas redes sociais, talvez ele esteja jogando o “Baleia Azul”, não ignore, denuncie. O próprio Facebook possui ferramentas de denúncia.

2- Você poderá lavrar um boletim de ocorrência em uma delegacia e caso você tenha acesso às conversas trocadas entre o mentor e o jogador, pode comparecer a um cartório de notas onde será lavrada uma ata notarial, dando fé pública ao conteúdo das mensagens (essa ata será importante fonte de prova caso as mensagens sejam apagadas).

Alerta aos pais

1 - Os pais devem atrair a confiança dos filhos através do diálogo franco e aberto sem qualquer tipo de repressão para que no primeiro sinal de perigo a criança possa sentir-se à vontade e procurar sua ajuda, confidenciando-lhes o que está acontecendo; 

2 - Observe o comportamento estranhos dos filhos tais como isolamento, tristeza aguda, decepção amorosa, comportamentos depressivos, atitudes suicidas;

3 - Preste atenção no corpo de seu filho se não existe sinais de mutilação ou queimaduras e se ele de repente está usando camisas de mangas compridas para evitar a exposição de tais marcas;

4 - Há tempo para tudo. Evite que seus filhos fiquem expostos há altas horas na internet e assistindo filmes na televisão pela madrugada. 

5 - Observe se ele não está saindo de casa escondido em horários pela madrugada com o objetivo de cumprir tarefas impostas pelo jogo;

6 - Os pais devem supervisionar os acessos dos filhos de uma forma discreta; A vida moderna exige que os pais tenham pelo menos conhecimento básico de internet – peça ao seu filho para ser adicionado nas redes sociais deles, fazendo isso você poderá saber o que está se passando com ele e com quem eles estão interagindo. Caso os pais não tenha idade para aprender a conviver com este mundo virtual eles devem delegar tal tarefa para um parente mais próximo (irmão, primo, sobrinho) a quem o adolescente seja próximo e confie; 

7 - Quando possível deixe o computador num local comum e visível da casa; 

8 - Se vetar alguma página explique as razões e os perigos da rede; 

9 - Evitar expor informações particulares e de dados pessoais em demasia: (telefones, endereços, CPF, horário que sai de casa e para onde está indo, localização acessível o tempo todo, etc);

10 - Evitar colocar fotos tais como: locais onde frequenta (clubes, teatros, igrejas), carros (a placa localiza o endereço), casa (mostra onde a pessoa mora); 

11. - Nunca incluir desconhecidos nos contatos; 

Outras formas de obter ajuda

1 - Também as escolas devem colocar o assunto em pauta e incorporar no currículo, cada vez mais, a educação para a valorização da vida, o respeito pela vida dos outros e o uso consciente das mídias e tecnologias.

1 - E, por fim, não custa lembrar que o CVV (Centro de Valorização da Vida) presta um serviço incrível por meio do telefone 141 e você sempre pode buscar órgãos apropriados como a SaferNet e autoridades locais.

Tipificação penal

A conduta dos mentores do Baleia Azul é criminosa. "Induzir (criar a ideia de suicídio em alguém), instigar (incentivar alguém que já estava pensando em suicídio) ou auxiliar (ajudar materialmente o suicida) o suicídio de outra pessoa é crime, de acordo com o artigo 122 do Código Penal, punido com pena de 02 a 06 anos de prisão caso o suicídio se consuma ou de 01 a 03 anos de prisão caso a tentativa de suicídio resulte em lesão corporal grave. Caso tais pessoas sejam menores, as condutas criminosas que praticarem entram como ato infracional, estando sujeitos às penalidades instituídas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. A indenização cível deverá ser paga pelos seus responsáveis legais.

Do Portal FolhaPE

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